CRISTIANISMO E UNIVERSIDADE

Seja bem-vindo a "CRISTIANISMO E UNIVERSIDADE". Aqui procuraremos apresentar artigos acerca de assuntos acadêmicos relacionados aos mais diversos saberes, mantendo sempre a premissa de que a teologia é a rainha das ciências, pois trata dos fundamentos (pressupostos) de todo pensamento, bem como de seu encerramento ou coroamento final. Inspiramo-nos em John Wesley, leitor voraz de poesia e filosofia clássica, conhecedor e professor de várias línguas, escritor de livros de medicina, teólogo, filantropo, professor de Oxford e pregador fervoroso do avivamento espiritual que incendiou a Inglaterra no século XVIII.

A situação atual é avaliada dentro de seus vários aspectos modais (econômico, jurídico, político, linguístico, etc.), mas com a certeza de que esses momentos da realidade precisam encontrar um fator último e absoluto que lhes dê coerência. Esse fator último define a cosmovisão adotada. Caso não reconheçamos Deus nela, incorreremos no erro de absolutizar algum aspecto modal, que é relativo por definição.

A nossa cosmovisão não é baseada na dicotomia "forma e matéria" (pensamento greco-clássico), nem na dicotomia "natureza-graça" (catolicismo), nem na "natureza-liberdade" (humanismo), mas, sim, na tricotomia "criação-queda-redenção" (pensamento evangélico).

ESTE BLOG INICIOU EM 09 DE JANEIRO DE 2012





sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

COMUNIE - CAPELANIA UNIVERSITÁRIA EM FORTALEZA - CULTO NA FA7


Os grandes eventos do mundo evangélico aconteceram em contexto universitário. A Reforma Luterana foi desenvolvida em grande parte entre professores e alunos da Universidade de Wittenberg. Como resultado da Reforma Suíça e da influência de João Calvino, surgiu a Academia de Genebra. A Universidade de Halle tornou-se o centro de difusão do pietismo alemão, com sua ênfase missionária e trabalho social. O puritanismo inglês surgiu na Universidade de Cambridge, enquanto metodismo surgiu do “Clube Santo” na Universidade de Oxford.
            Chegou a hora de nós, evangélicos, mostrarmos a fertilidade da cosmovisão cristã para todas as áreas do conhecimento, bem como estarmos preparados para mostrar a razão da esperança que há em nós. Isso, porém, deve ser feito num clima devocional, marcado pela comunhão e pela piedade, pois a nossa cabeça só está pronta quando os nossos joelhos estão curvos e nossos olhos estão úmidos na presença de Deus.
            Para alcançar os objetivos aqui propostos, estamos iniciando um novo projeto de ação: “COMUNHÃO UNIVERSITÁRIA EVANGÉLICA” (COMUNIE). Trata-se de um trabalho amplo de capelania universitária.
            Pretendemos realizar dois cultos durante cada semestre letivo com alunos e professores de todas as Faculdades e Universidades de Fortaleza. Nesses cultos, as mensagens focarão o equilíbrio bíblico entre vida cristã e vida acadêmica. Falaremos também  sobre temas apologéticos, bem como procuraremos estimular os cristãos a enfrentar com confiança os desafios do mundo intelectual. O objetivo é pastorear o crente dentro da universidade, contribuindo não apenas para a preservação de sua fé em si, mas também para que ela ganhe ainda mais vitalidade.
            Esse trabalho, portanto, será um apoio para as igrejas, pois os pastores saberão que os membros de suas comunidades não estarão desasistidos frente às ideologias anticristãs. Rogamos, assim, as orações, bem como o incentivo dos ministros eclesiásticos, para que os membros universitários de suas igrejas participem.
            Além dos dois cultos realizados no início e no fim de cada semestre letivo, pretendemos organizar um Encontro Anual de Estudantes e Professores Evangélicos, com várias palestras sobre temas relacionados.
            Os cultos se realizarão no Auditório da Faculdade 7 de Setembro, mas se destinam aos universitários e professores evangélicos de todas as Faculdades e Cursos.
            O primeiro culto será no dia 20 de fevereiro de 2016, às 19: 30h. Convidamos a todos os evangélicos que estão em Instituições de Ensino Superior (alunos e professores) bem como aos pastores, a fim de que possam conhecer a importância desse trabalho.
                 De igual modo, estendemos o convite aos estudantes e professores que não professem a fé evangélica, mas desejem participar da celebração e ouvir a Palavra de Deus! 

Rev. Glauco Barreira Magalhães Filho
Graduado em Direito (UFC) e Teologia (UMESP)
Mestre em Direito (UFC) e Doutor em Sociologia (UFC)
Livre Docente em Filosofia do Direito (UVA) e Doutor em Ministério (FTML)
Doutor em Teologia (Faculdade Etnia) e Pós-Graduado em Teologia Histórica e Dogmática (FAERPI)

            

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Liberdade Civil e Continência Moral - Edmund Burke





A sodomização e liberalização sexual na sociedade são a destruição da própria liberdade. A liberdade civil e política só são protegidas em uma sociedade guardada pela moralidade. Edmund Burke (1727-1797) disse:

            “Qual a conseqüência da liberdade quando as pessoas não têm bom senso e integridade? Os maiores males possíveis, tais como falta de juízo, pecados sexuais e loucura, sem limites.
            “As pessoas têm direito legal à liberdade civil na proporção exata de sua disposição em colocar limitações nos próprios desejos sensuais...
            “A sociedade não tem condições de existir sem que haja algum tipo de autoridade que controle a vontade e os apetites sensuais das pessoas. Quanto menos responsabilidade as pessoas têm em sua vida particular, mais controle deve existir na sociedade.
            “Está ordenado na eterna constituição das coisas que as pessoas que não controlam seus desejos e apetites sensuais não sejam livres. Suas paixões fazem suas algemas”


sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Jonathan Edwards (1703–1758): Cristo Morreu pelos que não o aceitarão

“Mas então é assim: multidões não vão aceitar um dom gratuito das mãos do Rei do Mundo. Eles têm a ousadia, a horrível presunção de recusar uma gentileza oferecida pelo próprio Deus, e de não aceitar um presente das mãos do Senhor, nem de seu próprio Filho, seu próprio Filho igual com Ele.

Sim, eles não aceitarão dele, apesar dele morrer por eles; sim, embora ele tenha morrido uma mais atormentadora morte, embora ele tenha morrido para que eles pudessem ser livres do inferno, e para que pudessem ter o Céu, eles não aceitarão esse dom, embora eles tenham necessidade dele, porque eles seriam miseráveis para sempre sem ele.
Sim, embora Deus o Pai os convide e importune, eles não aceitam Dele, embora o próprio Filho de Deus bata e chame à sua porta até que sua cabeça fique molhada com o orvalho, e os seus cabelos das gotas da noite, argumentando e suplicando-lhes a aceitar dele para seu próprio bem, embora ele faça tantas promessas gloriosas, embora ele apresente tantos benefícios preciosos para tentá-los para a felicidade, talvez por muitos anos juntos, mas eles obstinadamente recusam todos. Tal ingratidão já foi ouvida ou algo pior pode ser concebido?”
Jonathan Edwards [1720], Sermons and Discourses 1720-1723 (WJE Online Vol. 10), Ed. Wilson H. Kimnach, pp. 397-398

O que C. S. Lewis falou sobre Predestinação, Onisciência Divina e Responsabilidade Humana

               Dr. Glauco Barreira Magalhães Filho na casa onde morou C. S. Lewis em Oxford

No livro “Cartas de um Diabo a seu aprendiz”, na carta 27, C. S. Lewis mostra a conciliação da onisciência de Deus com o livre-arbítrio humano, rejeitando a doutrina determinista (calvinista) da predestinação.
            O Diabo fala a seu aprendiz da dificuldade que têm seres humanos de entenderem que Deus está fora do tempo, ou seja, em um eterno presente que compreende e excede o nosso presente, passado e futuro. Desse modo, o homem, persistindo em ver erroneamente Deus no tempo (sucessão), imagina a presciência como previsão e predestinação. Ao levar a sério essa errada crença, ele desanima de orar com fervor.
Diz o Diabo a seu aluno:

“Mas lembre-se de que ele (o homem) dá como certo que o Tempo é a realidade suprema. Ele supõe que o Inimigo (Deus) , assim como ele próprio, vê certas coisas como o presente, lembra-se de outras como o passado e antecipa outras mais como futuro”.

            O Diabo, então, mostra que não adiantaria alguém explicar a esse homem que a onisciência é conciliável com o livre-arbítrio, pois ele só compreende a presciência como predestinação:

            “... Ele (o homem) não acredita realmente (embora talvez diga que sim) que as coisas são como o Inimigo as vê! Se você tentasse explicar para ele que as preces dos homens no dia de hoje são uma das inúmeras coordenadas utilizadas pelo Inimigo (Deus) para harmonizar o dia de amanhã, ele replicaria que, de qualquer modo, o Inimigo (Deus) sempre soube que os homens iriam fazer essas preces e, sendo assim, eles não oraram livremente, mas estavam predestinados a orar.”

            O Diabo é, então, obrigado a confessar que o amor divino reservou espaço para o livre-arbítrio humano:

            “Por que esse ato criador deixa espaço para o livre-arbítrio deles é o maior de todos os problemas, o segredo que está por trás de toda essa lengalenga do Inimigo em relação ao Amor... pois o Inimigo (Deus) não PREVÊ como os humanos irão contribuir para o futuro com o seu livre-arbítrio, mas OBSERVA os atos deles no Presente Totalmente Livre de que dispõem. E, claro, observar um homem fazendo algo não significa forçá-lo a fazer tal coisa”.

            Para Lewis a ignorância dos escritos de autores cristãos antigos produziu os erros modernos quanto a esse assunto. Diz o Diabo:

            “Poderíamos dizer que alguns escritores humanos bastante intrometidos, principalmente Boécio, acabaram revelando esse segredo. Mas, devido ao clima intelectual que finalmente conseguimos produzir em toda a Europa ocidental, você não precisa se preocupar com isso. Só os eruditos lêem livros antigos, e nós já demos tal jeito neles que, de todos os homens, eles são os menos capazes de adquirir sabedoria ao ler tais livros”.

            Voltemos, portanto, ao bom senso e abandonemos o determinismo antibíblico! Deus sabe o que farei amanhã, não porque determinou, mas porque já me observou praticando desde o seu eterno presente. As minhas orações de hoje influenciam a ação de Deus no amanhã, mas o meu hoje e o meu amanhã são para Ele sempre um presente consumado. Não confundamos atributos naturais de Deus (Atemporalidade, Onisciência) com o determinismo.

Dr. Glauco Barreira Magalhães Filho
Doutor em Sociologia da Religião
Doutor em Teologia
Doutor em Ministério

Livre Docente em Filosofia

domingo, 6 de dezembro de 2015

O QUE O DR. MARTIN LLOYD-JONES FALOU SOBRE O MUNDANISMO E A MASSIFICAÇÃO DAS PESSOAS

                              Rev. Glauco Barreira Magalhães Filho na Capela de Westminster

O Dr. Martin Lloyd-Jones, pastor da Capela de Westminster, explicou como eram as pessoas mundanas em seu sermão “O HOMEM EM PECADO”:


“Pois a pequena vida delas é inteiramente governada pela organização do mundo. Elas pensam como o mundo. Aceitam opiniões pré-fabricadas do seu jornal favorito. Até a sua aparência é controlada pelo mundo e suas modas, que sempre mudam. Todas elas se conformam, isso tem que ser feito; não se atrevem a desobedecer: têm medo das conseqüências. Isso é tirania, é controle absoluto – roupa, estilo de penteado, tudo completamente controlado. A mente do mundo! Não há tempo para desenvolver a questão sobre a sutil, quase diabólica influência muitas vezes demonstrada em suas modas sensuais. Esta era é dominada pelo sexo. [...] Quando as pessoas falam tão levianamente sobre a sua emancipação, dão uma clara prova do fato de que elas são governadas, dominadas e controladas por este mundo, pela mente do mundo, pela era da propaganda, pela era da publicidade, pela opinião das massas, pelo indivíduo massificado sem saber. Não é trágico? Mas o homem em pecado é isso. Está espiritualmente morto porque é controlado pela mente do mundo.”

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

C. S. Lewis contra a Transubstanciação




Em seu último livro, “Oração: Cartas a Malcom”, C. S. Lewis deixou observações claras que mostram o equívoco da doutrina romanista da transubstanciação, o alicerce da missa papal:


“Não sei, não consigo imaginar o que os discípulos entendiam que Nosso Senhor quis dizer quando, o corpo ainda intacto e ANTES de derramar o próprio sangue, entregou-lhes pão e vinho afirmando que eram seu corpo e sangue. Não encontro nas conformações da minha compreensão humana nenhuma ligação entre alimentar-se de um homem – é como homem que o Senhor tem carne – estabelecer uma unidade ou comunhão ou ‘koinonia’ espiritual com ele. Considero a ‘substância’ (no sentido aristotélico), quando despida de seus próprios acidentes e dotada dos acidentes de alguma outra substância, um objeto em que não consigo pensar.”

Para C. S. Lewis, fora de seu contexto de celebração, o pão e o vinho “consagrados” não manifestam nenhuma propriedade especial:

“É como tirar uma brasa incandescente do fogo para examina-la: ela se torna um pedaço de carvão sem vida”.

Dr. Glauco Barreira Magalhães Filho

terça-feira, 17 de novembro de 2015

SOBRE LUTERO E OS JUDEUS

Vejo constantemente pessoas citando um duro escrito de Lutero contra os judeus para sugerir que ele era anti-semita. Lembro, porém, que o escrito não foi endereçado aos judeus de raça, mas de religião. Não foi um ataque religioso, mas ligado à ordem civil. Lutero queria o fechamento das sinagogas por causa dos negócios creditícios proibidos legalmente na época (que eram realizados sob o manto das sinagogas). Lutero queria que os judeus, através da abolição da usura, fossem “forçados” a trabalhar. Ele, entretanto, fez oposição categórica a que fossem mortos e lamentou ter que escrever tão duramente. O escrito se referia a uma situação específica e localizada na Alemanha.
          Não concordo com a linguagem rabugenta e impaciente do velho e enfermo Lutero, nem endosso todas as suas conclusões, mas Lutero nunca foi racista. O teólogo católico do século XVI, João Eck, chamou um líder luterano ligado ao reformador de “protetor dos judeus”. No seu escrito “Que Jesus foi um judeu nato”, Lutero protestou contra os católicos por tratarem “os judeus como se fossem  cachorros e não seres humanos” e por tomarem as suas propriedades. Ele também disse: “E mesmo que nos gloriemos por nosso estado, contudo somos gentios ainda assim. Os judeus, porém, são do sangue de Cristo; nós somos cunhados e estrangeiros, eles são amigos de sangue, primos e irmãos de nosso Senhor. Por isso, se pudéssemos nos gloriar no sangue e na carne, os judeus estariam mais próximos de Cristo do que nós... Peço, portanto, a meus estimados papistas, quando estiverem cansados de me acusar de ser um herege, que comecem a me acusar de ser um judeu”.
            Lutero cria na conversão e restauração de Israel à sua terra no final da História. O professor  da Universidade de Leipzig (Alemanha), Helmar Junghans, disse: "Assim, por exemplo, o anti-semitismo vienense certamente é mais importante no caso de Adolf Hitler, pertencente ao ambiente católico romano da Europa Oriental, para o surgimento do ódio contra os judeus que os escritos de Lutero referentes aos judeus". 

         Quem quiser ler mais sobre a distinta relação de católicos com judeus e protestantes com judeus, aconselho a leitura de meu livro “A Reforma Protestante e o Estado de Direito” (p. 276-282). 


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domingo, 1 de novembro de 2015

CONTRA A CULTURA DO REPÚDIO - ROGER SCRUTON

“A cultura do repúdio marca, de outros modos, a desintegração do Iluminismo. Como é freqüentemente comentado, o espírito do livre exame está, agora, desaparecendo das escolas e universidades no Ocidente. Livros são inseridos ou retirados do currículo com base no politicamente correto; códigos de fala e serviços públicos de aconselhamento policiam a linguagem e a conduta de estudantes e professores; muitos cursos são elaborados para transmitir uma conformidade ideológica em vez de estimular a livre investigação, e os alunos muitas vezes são penalizados por chegarem a alguma conclusão considerada herética sobre os principais assuntos do dia”

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

C. S. LEWIS E A GRAÇA IRRESISTÍVEL







C. S. Lewis rejeitava a doutrina calvinista da graça irresistível. Por essa doutrina, afirma-se que há um grupo eleito incondicionalmente para a salvação. Jesus teria morrido só por eles e eles seriam conduzidos à conversão em dado momento de suas vidas por uma ação irresistível de Deus. Lewis acreditava que essa concepção tinha um parentesco com o panteísmo, pois a pessoa teria sua vontade anulada, sendo, de certo modo, absorvida em Deus. O amor de Deus, por outro lado, aparecendo em uma relação EU-TU, não poderia deixar de contar com a livre reciprocidade.
Em sua obra "Cartaz de um Diabo a seu aprendiz", o diabo fala o seguinte ao seu aluno contra o seu Inimigo (Deus):

"Certamente você já se perguntou várias vezes por que o inimigo não utiliza os Seus poderes para estar presente de modo perceptível para as almas humanas, com a intensidade que Ele escolher e sempre que desejar. Mas agora você percebe que o Irresistível e o Indisputável são duas armas que a própria natureza do Seu desígnio O impede de usar. Para Ele, de nada valeria simplesmente neutralizar a vontade humana... Ele não pode violentá-los; pode apenas cortejá-los... as criaturas devem ser Um com Ele, e ainda distintas. De nada Lhe serve simplesmente anulá-las ou assimilá-las." 

Dr. Glauco Barreira Magalhães Filho

sábado, 24 de outubro de 2015

BATISTA OU REFORMADO?

A doutrina calvinista da predestinação foi associada por João Calvino e pelo seu antecessor, Santo Agostinho (século IV), ao batismo infantil. A chamada “teologia pactual” do calvinismo punha os filhos dos crentes sob a proteção salvadora através do batismo infantil. Em Santo Agostinho, o batismo dos filhos dos crentes lhes cancelava o pecado original. A anterioridade do batismo infantil à fé não era vista como algo esquisito, pois a salvação dependia mais da eleição do que da fé. Os eleitos estavam salvos pelo mesmo decreto de Deus que lhes determinava ter fé. Por esse motivo, o homem não era salvo pela fé, mas tinha fé porque era salvo (eleito). A regeneração, por sua vez, antecedia à fé e ao arrependimento.
            A doutrina batista, por outro lado, estabelecia o batismo adulto, que era administrado sob arrependimento e profissão de fé. Tertuliano (séculos II e III), em quem os batistas sempre viram os alicerces mais desenvolvidos de sua doutrina, deixou claro qual era o ensino apostólico. Em seus escritos, o livre arbítrio sob a graça é reconhecido a todos os homens, sendo universal a expiação provisional de Cristo.
Santo Agostinho perseguiu os grupos batistas de sua época (donatistas, etc.), enquanto os calvinistas mais antigos fizeram o mesmo com os batistas (anabatistas). A razão da rejeição dos batistas pelos antigos calvinistas derivava do fato de eles perceberem a incompatibilidade de sua doutrina da predestinação com a concepção de batismo dos batistas. Embora não concorde com a visão calvinista da predestinação, eu tenho que admitir que os calvinistas antigos estavam certos em sua conclusão: NÃO HÁ COMO SER CALVINISTA E BATISTA AO MESMO TEMPO e NÃO HÁ COMO SER BATISTA COERENTE E CALVINISTA CONJUNTAMENTE. Só a superficialidade teológica pode gerar uma incoerência como um batista-calvinista.
            C. H. Spurgeon foi um batista-calvinista e não posso negar a admiração que tenho por muitos aspectos de sua vida e mensagem. Noto, porém, uma variação enorme em seus sermões. Quando ele estava em uma época mais calvinista, parecia esquecer-se do batismo adulto. Quando, porém, estava pregando sobre ênfases batistas parecia negligenciar as doutrinas calvinistas. Há sermões de Spurgeon em que ele defende a expiação limitada, mas também há sermões em que ele defende a expiação universal com outras palavras. Quando entrou em confronto com os hipercalvinistas, bem como ao final de sua vida, pregou mensagens que inspirariam qualquer arminiano. Ele sentia essa tensão, mas disse que cabia a Deus conciliá-la.
            Não pretendo alongar-me nesse artigo, mas observo duas verdades batistas que são incompatíveis com o calvinismo:

(1)   Os batistas crêem que as crianças que morrem antes da idade da razão, sejam filhas de crentes ou não, estão salvas. Ora, não há nenhuma passagem da Bíblia que diga que crianças que morrem na infância são sempre eleitas. Os batistas, porém, costumam citar o versículo onde Jesus disse que “das crianças é o Reino dos céus”. Como isso vale para todas as crianças indistintamente e nós sabemos que todos nós nascemos “em pecado”, as afirmações só se harmonizarão se houver uma graça preveniente universal que garante salvação para as crianças até que se façam culpadas pelo seu pecado pessoal.
(2)   O batismo é um símbolo de regeneração e deve ser administrado sob profissão de fé, do que se deduz que a regeneração segue-se a fé, enquanto a ordem calvinista é inversa. No símbolo batismal, a profissão de fé é uma demonstração pública da fé interior, enquanto o batismo que SE LHE SEGUE é uma demonstração pública da regeneração interior.

            Não sou calvinista, porque sou batista. Não sou reformado, porque os batistas vêm de grupos anteriores à Reforma. Até C. H. Spurgeon reconheceu isso em um sermão:

            “Reflitam primeiro no fato de que a Igreja existe... Quando Roma papal descarregou sua astúcia maligna ainda mais furiosa e engenhosamente;quando assassinos cruéis caçavam os santos por entre os Alpes, ou os atormentavam nas terras baixas; quando os albigenses e os waldenses derramavam seu sangue nos rios e tingiam de carmesim a neve, ela continuava viva, e nunca esteve em estado mais sadio do que quando foi imersa em seu próprio sangue... A nossa sucessão apostólica percorre linha ininterrupta; não por meio da igreja de Roma; não vinda das mãos supersticiosas de papas feitos por sacerdotes, nem de bispos criados por reis (que envernizada mentira é a sucessão apostólica daqueles que tão orgulhosamente se gabam dela!), mas sim, por meio do sangue de homens bons e fiéis que jamais abandonaram o testemunho de Jesus; por meio dos lombos dos verdadeiros pastores, dos laboriosos evangelistas, dos mártires fiéis e de honoráveis homens de Deus, traçamos a nossa linha de ascendência até aos pescadores da Galiléia, e nossa glória é que, pela graça de Deus, perpetuamos a verdadeira e fiel Igreja do Deus vivo...”
           
            É também incompatível com as convicções batistas a doutrina calvinista da graça irresistível. Os batistas foram grandes defensores da responsabilidade pessoal e da tolerância religiosa, crendo que Deus nunca força ninguém a conversão. O batismo adulto era signo da fé que resulta da livre vontade sob a graça de Deus.
            Como Batista, creio na clareza das Escrituras, e, logo, tenho que aceitar as declarações explícitas da Bíblia de que Jesus morreu de modo provisional por todos e cada um dos homens.
            Como creio na integridade do caráter divino, acredito que a palavra que Deus nos mandou pregar a todos os homens, chamando-os ao arrependimento, não é marcada por cinismo. Por isso, defendo que a mensagem do evangelho é sempre acompanhada pela graça que possibilita o arrependimento.
            Como a graça é uma só, não posso aceitar que a graça opera irresistivelmente para conversão dos eleitos e resistivelmente na santificação do que já é crente. Acredito que os que se arrependem devem atribuir isso a Deus, pois não poderiam arrepender-se sem a graça divina, enquanto os que não se arrependem são disso culpados exatamente porque rejeitaram a graça que os poderia conduzir ao arrependimento.
            Como Deus nos oferece uma “grande salvação”, acredito na segurança eterna dos salvos e no dom da perseverança final.

           

Dr. Glauco Barreira Magalhães Filho

ADVERTÊNCIA DE JOHN BUNYAN AOS QUE RESISTEM E MENOSPREZAM O ESPÍRITO SANTO




“Não basta condená-los por vossos pecados contra a lei, senão que também tereis que pecar contra o Espírito Santo? Acaso, o Espírito da GRAÇA, santo, inofensivo e puro, promessa de Cristo, Consolador de seus filhos, sem o qual nada pode servir aceitavelmente ao Pai; acaso, digo, há de ser esta a carga de vossa canção: vituperar, escarnecer e enfadar-se dEle? Se Deus mandou Coré e seus companheiros diretamente para o inferno por falar contra Moisés e Arão (Números 16), credes que os que burlam o Espírito de Cristo escaparão impunes (Hebreus 10: 29)? Não lestes jamais o que Deus disse a Ananias e Safira, por dizer uma só mentira contra o Espírito Santo (Atos 5: 1-9), e a Simão, o Mago,por menosprezá-lo (Atos 8: 18-22)? E credes que vosso pecado será virtude, ou passará sem ser castigado, até o ponto que vos ocupais em vociferar contra Seu ofício, Seu serviço e Sua ajuda, que Ele dá aos filhos de Deus? Horrível coisa é menosprezar o Espírito da graça (Marcos 12: 31; Marcos 3: 29).”("A oração” - 1660)

terça-feira, 20 de outubro de 2015

AS CAUSAS DO FRACASSO ESPIRITUAL (NÃO NUMÉRICO) DAS GRANDES CRUZADAS EVANGELÍSTICAS

Durante os grandes avivamentos espirituais da história, aconteceram grandes cultos públicos, com multidões de pessoas afetadas por pregações intrépidas, passando da agonia da contrição ao júbilo do perdão. A partir daí, começou o nobre costume evangélico de realizar cruzadas evangelísticas para as massas, tanto em tendas como ao ar livre. Eventos preparados com evangelismo e muita oração possibilitaram muitas conversões legítimas e transformadoras.  
            Ao surgirem grandes organizações evangelísticas, porém, a vigilância e o discernimento deveriam ter aumentado. O aumento da distribuição de tarefas criou um quadro pessoal maior, não havendo uma seleção dos participantes por um critério adequadamente espiritual. O resultado foi o mundanismo e o declínio das grandes cruzadas evangelísticas. Não queremos, porém, aqui, sugerir a abolição, mas a cura, ou ainda, o surgimento de novas cruzadas orientadas por valores espirituais.
            Vejamos as três causas do declínio das cruzadas evangelísticas, a fim de que não caiamos nos mesmos erros nem os apoiemos:
                                                
(1) MUITAS CRUZADAS, PRETENDENDO TRANSFORMAR SEUS EVENTOS NUM GRANDE SHOW (COM MUITO GASTO FINANCEIRO), ABANDONARAM A SIMPLICIDADE E BUSCARAM NEGOCIATAS COM GRANDES EMPRESÁRIOS, MUITOS DOS QUAIS, SEM TESTEMUNHO LEGÍTIMO DE CONVERSÃO, SUBSTITUÍRAM O ARREPENDIMENTO PESSOAL DE QUE PRECISAVAM PELO PATROCÍNIO ECONÔMICO QUE LHES AQUIETAVA A CONSCIÊNCIA CULPADA:

            Leonard Ravenhill disse: “Joel fala uma linguagem que não conhecemos. Seu ministério não comercial, não financeiro, nos assusta. Nossas corporações do evangelho e nossas dívidas evangelísticas negociadas em banco o chocariam. Meu Deus, tantos empreendimentos evangelísticos que começaram no Espírito estão agora terminando na carne. Por que nós ‘descemos ao Egito’ para pedir socorro?”.
            Não me oponho ao patrocínio em si, mas é preferível o patrocínio do incrédulo ao do “crente” desmantelado que quer apaziguar a sua consciência. Por outro lado, o patrocínio deve ser para algo paralelo e acessório, não para a cruzada em si ou para custear pregadores e cantores, pondo-os nas mãos do poder econômico. Também a cruzada não pode ser descaracterizada como um culto para tornar-se num grande show, onde a pregação ocupa tempo e papel diminuto.
            Diferencio patrocínio de oferta. A última caracteriza-se pelo anonimato, enquanto o patrocínio tem reciprocidade, normalmente em forma de propaganda. Nunca a igreja deveria aceitar patrocínio de políticos ou partidos.

(2) APARECIMENTO DE CANTORES “ESTRELAS”, FAZENDO DAS CRUZADAS O SEU PALCO DE EXIBIÇÃO, MUNDANISMO E LUCRATIVIDADE:

            Vejamos mais uma vez a voz profética de Leonard Ravenhill: “Um crítico escritor esportivo diz deplorar o fato de que os esportes profissionais tornaram-se uma produção comercial. Alguém poderia lamentar o fato de que o poderoso evangelho de nosso Redentor tornou-se um negócio comercial também – cantores vestidos de forma extravagante, imitando estrelas do rock, elaboram vestimentas de palco para tentar cativar a atenção de um mundo agonizante. Toda essa vestimenta a rigor na tentativa de esconder o fato de que não há fogo no altar, a pregação não tem poder, o Santo não está presente.”

(3) A TENTATIVA DE ATRAIR O MUNDO COM O MUNDO DOS ESPORTES:

            Vivemos numa sociedade dominada pelo mundanismo nos esportes. Jogadores com salários astronômicos (um desprezo ao verdadeiro trabalhador), criando modas vulgares através de seus cortes extravagantes de cabelos e do uso de tatuagens, sendo desejados pela cobiça sexual das mulheres, apresentam-se como ícones da juventude. No passado, quando algum deles se convertia a Cristo, logo deixava a vida esportiva em razão de sua poluição moral. Muitos se tornavam missionários, trocando a glória deste século pelo anonimato em terras estranhas, deixando, muitas vezes, os altos salários por condições precárias de vida.
            Muitos organizadores de grandes cruzadas, porém, usam o testemunho de esportistas “evangélicos” bem sucedidos para atrair jovens para a “conversão”. Acontece que os incrédulos admiram a parte “bem sucedida” desses jogadores sem qualquer preocupação inicial com o fato de se confessarem evangélicos. Os organizados das cruzadas sabem disso e acham que podem criar a imagem de que é possível servir a Deus e ser famoso. Geralmente, os “esportistas” evangélicos, com exceção da linguagem e da freqüência aos cultos, apresentam-se muito pouco diferentes em hábitos e costumes dos mundanos. Estão em um ambiente que já os compromete. Se arrependimento é “mudança de mente”, eu não posso querer que alguém se arrependa da idolatria dos esportes usando a sua própria veneração esportiva.

            “Nenhum pregador saltará no púlpito com a ‘boa nova’ de que sua igreja ganhou a mais alta honra no campeonato de boliche interigrejas, se ele acabou de sair do quarto de oração com o brilho da eternidade em seus olhos.” (Leonard Ravenhill).

            Recomendo para a igreja de nosso tempo a leitura do livro “Por que tarda o Pleno Avivamento” de Leonard Ravenhill.


Rev. Glauco Barreira Magalhães Filho

domingo, 4 de outubro de 2015

Rev. Glauco Barreira Magalhães Filho fará palestra em Brasília


EXISTE HOMOSSEXUALISMO ANIMAL?

Um amigo me escreveu hoje à tarde pedindo explicação sobre "homossexualismo entre animais". Como biólogo, neuropsicólogo e psicanalista, sabendo que esse assunto tem sido objeto de muita falácia e de mentiras, e que essa dúvida é, também, de outras pessoas, resolvi expor meu comentário a quem mais se interessar, com algumas adaptações...
EXISTE HOMOSSEXUALISMO ANIMAL?
A reposta é NÃO.                             
Não existe "homossexualidade" no mundo animal. Essa conversa é invenção ideológica de um movimento político que ganhou a simpatia de parte do establishment acadêmico, só isso.
A homossexualidade é uma atração sexual, erótica, por pessoas do mesmo sexo, ou seja, é essencialmente um desejo, uma conduta erótica induzida e aprendida, embora suas causas sejam ainda objeto de muita discussão.
Por exemplo, não há homossexualidade entre crianças, pois crianças não têm erotismo, não manifestam desejo sexual, exceto aquelas deformadas por erotização precoce induzida por adultos - ou seja, abuso. Meninos com gestos "afeminados" ou que gostem de brincar ou de vestir coisas de mulher é um outro assunto, e nada tem a ver com homossexualidade - o homossexual NÃO É um homem com "alma feminina", nem mulher com "alma masculina", como alguns acham, pois muitos homossexuais não querem ser do outro sexo, nem mesmo os travestis querem ser do sexo oposto - querer ser do sexo oposto é um transtorno comportamental chamado transsexualismo, que não tem a ver com homossexualismo, sendo este um outro tipo de transtorno, de desorientação.
Ora, se não existe homossexualidade em crianças, que são da espécie que inventou esse tipo de conduta anômala, que dirá em animais. Porém, pode-se observar, em cativeiro e, às vezes, na natureza, alguns comportamentos em certos indivíduos de algumas espécies, em que dois machos ou duas fêmeas podem se comportar como se fossem um casal, mas isso tem explicações etológicas (etologia = ciência do comportamento animal) bem conhecidas, geralmente ligadas à sobrevivência da espécie ou à proteção do indivíduo em situações de risco, entre outras - nada a ver com a conduta erótica (alguns chamam de "tara") que vemos entre humanos.
Também há casos de cópula entre animais do mesmo sexo, sendo, no entanto, bem mais raros do que o comportamento descrito anteriormente; mas também as explicações etológicas são bem diferentes do que chamamos de homossexualdade no caso dos humanos.
Por exemplo, se conhece comportamento imitativo de fêmea em alguns animais machos quando o indivíduo tem sua sobrevivência ameaçada e usa essa estratégia como demonstração de submissão para convencer o macho-alfa a aceitá-lo no grupo, podendo até chegar ao ponto de haver cópula (o que é bem raro, e em geral não é bem sucedida, pois a ausência de genitálias opostas que se encaixem resulta em impossibilidade do ato, mas fica valendo como símbolo de submissão - ao mesmo tempo, quase não se tem registro de cópula em que um macho penetre o ânus do outro, que é o que caracteriza a conduta homossexual humana - e entre fêmeas, evidentemente, inexiste a ideia de ato "homossexual" no reino animal, restringindo-se a humanos).
Os ideólogos que constroem falácias na tentativa de forçar uma naturalização daquilo que não é natural costumam apelar para exemplos extremos como os dos macacos bonobos. Entretanto, o tiro sai pela culatra, pois os bonobos são uma exceção, um exemplo raro de primatas cuja vida em comunidade, por razões ainda pouco conhecidas, é pautada num comportamento sexual extremamente promíscuo, tanto entre indivíduos de sexos distintos, como, às vezes, entre os do mesmo sexo, e até em sexo grupal. Se os tais ideólogos consideram esse um modelo de conduta sexual que justificaria a homossexualidade humana, estarão confirmando uma acusação de que muitos homossexuais desejam livrar-se, isto é, a de que o homossexualismo seria um comportamento anormal e de vínculo promíscuo.
Lamentavelmente a opinião pública e até muitos acadêmicos se deixam enganar por uma apologia sem fundamento, em que são usadas falácias e sofismas se passando por fatos e verdade, tudo em nome da legitimação de uma perversão que se tornou uma ideologia.
         Dr. Ricardo Marques

sábado, 3 de outubro de 2015

NOVO ENCONTRO DA SOCIEDADE DE DIREITO NATURAL - PALESTRA DO DR. GLAUCO BARREIRA MAGALHÃES FILHO SOBRE "DIREITO NATURAL E NOVOS DIREITOS"







TRANSTORNO DE IDENTIDADE DE GÊNERO AGORA TEM COMPANHIA

Quem defende os "direitos" do transexual (Transtorno de Identidade de Gênero) vai ter que defender o direito de pessoas se cegarem a si mesmas e fazerem coisas piores, tudo em nome da "felicidade", ficando os encargos para a família e o Estado. Quem não acredita, leia:

http://www.jornalciencia.com/saude/corpo/5403-mulher-que-sonhava-em-ser-cega-tem-produto-de-limpeza-derramado-em-seus-olhos-por-seu-psicologo-hoje-cega-se-diz-feliz

DEFENDO O DIREITO DESSAS PESSOAS, MAS O DIREITO DE TEREM ASSISTÊNCIA PARA QUE SEJAM REORIENTADAS À NORMALIDADE!

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

ROGER SCRUTON E A REFORMA PROTESTANTE

No prefácio de seu livro “Como ser um conservador”, Roger Scruton diz:

         “Pois, na sua manifestação empírica, o conservadorismo é um fenômeno mais especificamente moderno, uma reação às vastas mudanças desencadeadas pela Reforma e pelo Iluminismo”.
            Roger Scruton diz defender a democracia parlamentar e as liberdades civis, mas assevera que o seu conservadorismo é uma reação às vastas “mudanças desencadeadas pela Reforma”. Como Scruton pode esquecer que o sistema democrático-parlamentar inglês foi resultado da ação dos puritanos e uma conseqüência da Revolução Gloriosa? Não sabe ele que ambas as ações foram protestantes?
            As liberdades civis só foram definitivamente reconhecidas no Bill of Rights da Revolução Gloriosa. O lema da Revolução Gloriosa, por outro lado, foi “Pela Liberdade, Pelo Parlamento e Pelo Protestantismo”.
         Como Roger Scruton pode juntar a Reforma com o Iluminismo, fechando os olhos para as grandes diferenças entre um e outro? Não leu ele as obras de Francis Schaeffer, que tão fundamentadamente distinguiu um e outro?
          Lamento que a falta de referenciais tenha levado alguns protestantes no Brasil a fazer de Roger Scruton o seu ídolo. É claro que ele diz algumas verdades importantes, mas a sua fundamentação última não é condizente com a fé protestante.


Dr. Glauco Barreira Magalhães Filho

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

C. S. Lewis e o Culto aos santos







Em seu último livro, "Cartas a Malcolm", C. S. Lewis se opõe à revisão do Livro de Oração Comum da Igreja Anglicana, defendendo a sua versão tradicional. Em relação à prática romanista de culto aos santos, diz que "há muito que dizer contra a devoção aos santos".


Em The Discarded Image, Lewis disse: "... Na Idade Média, o perigo para o monoteísmo não procedeu de um culto aos anjos, mas do culto aos santos."


Em 20 de maio de 1949, escreveu uma carta a quem queria inserir a devoção a Maria na liturgia anglicana. Nela, observou: "Pois se acreditas que esse é um problema litúrgico, permita-me dizer que estás equivocado. É um problema doutrinário. Ninguém perguntaria se essa devoção piora ou melhora a beleza da cerimônia, mas se é lícita ou condenável".


Em carta de 10 de agosto de 1951, disse: "Não creio que estamos autorizados a dar por encerrado que seja necessário usar a palavra 'santíssima' quando falamos da Virgem Maria. Se fosse assim, teríamos que condenar o Credo Niceno e o Credo Apostólico por omiti-lo".

Em "Deus no banco", Lewis disse: "A Idade Média levou sua reverência por uma mulher até o ponto que se podia fazer razoavelmente a acusação de que a 'Santíssima Virgem' se converteu a seus olhos numa 'quarta pessoa da Trindade'".


Em carta de 24 de outubro de 1952, fala duramente contra a canonização de "santos", tanto porque estabelece diferenças entre os habitantes do céu como porque institui o culto aos santos. Ele, então, conclui: "Milhares de membros da Igreja da Inglaterra duvidam que o culto de 'dulia' seja legítimo. Diz alguém que é necessário para a salvação? Se não é, por que a obrigação de correr tão terríveis riscos?". 


C. S. Lewis sempre fazia questão de dizer que não era católico romano. Em uma carta escrita em 19 de janeiro de 1953 a uma senhora que se tornara romanista, ele disse:

"Embora o caminho que a senhora tomou não seja o meu, estou em condições de cumprimentá-la... acredito que estamos muito próximos um do outro, mas não porque eu esteja no extremo romanista de minha comunidade de fé".


Em uma palestra (publicada) intitulada "Por que não sou pacifista", disse: "Considerando a declaração que é minha autoridade imediata como anglicano... Os papistas talvez não aceitem isto..."

Dr. Glauco Barreira Magalhães Filho

domingo, 20 de setembro de 2015

Transtorno de Identidade de Gênero

O homossexualismo não é geneticamente predeterminado. Um grupo de pesquisadores australianos localizou vinte e sete gays com irmãos gêmeos idênticos. Apenas três eram também homossexuais[1]. Em 1995, o Journal of Homosexuality, colocou sob análise em dois números sucessivos as causas biológicas que foram atribuídas ao homossexualismo (genéticas, hormonais, cerebrais e sociobiológicas). A conclusão dos editores foi que “a atual pesquisa sobre as bases biológicas da preferência sexual fracassa em produzir provas conclusivas”[2].
                Acerca do TRANSTORNO DA IDENTIDADE DE GÊNERO (que acomete ao chamado “transexual”), o MANUAL ESTATÍSTICO E DIAGNÓSTICO IV, elaborado pela Associação Americana de Psiquiatria em 1994, diz tratar-se da identificação persistente e forte com o sexo oposto e a preferência por papéis do sexo oposto nos jogos ou fantasias.
                Pelo fato de sintomas de o transtorno de gênero (garotos efeminados ou meninas masculinizadas), às vezes, aparecerem na infância, alguns cogitaram de haver causas biológicas. Os psiquiatras Kenneth Zucker e Susan Bradley, que trataram de muitas crianças com transtorno de identidade de “gênero” (não gosto da palavra “gênero”), verificaram que elas padeciam de uma ansiedade causada pelo estresse a que estavam expostas no seu ambiente. Deduziram daí que essas crianças se refugiavam em comportamentos próprios do sexo oposto como um mecanismo para conseguirem acalmar-se. Esse estresse, muitas vezes, era causado pela intensa carga emocional a que os pais (especialmente a mãe) submetiam o bebê[3]. Muitos adultos frustrados com a sua vida também buscam na identidade do sexo oposto uma fuga de seus próprios problemas e decepções.
                A frustração de pais que aguardavam filho de sexo diferente também influencia psicologicamente a inclinação dos filhos, isso já na vida intra-uterina.
                O bom senso recomenda que a pessoa deva ser tratada de um modo que possa retornar à identidade sexual condizente com o seu sexo biológico. Da mesma forma, uma pessoa que se julga quem não é, como o chamado “Inri Cristo” (que pensa ser Jesus Cristo)[4], deveria ser conduzido a normalidade tanto quanto alguém que pensa ser uma galinha[5].
                Até mesmo o grande rei Nabucodonosor ficou louco, achando que era um animal. Só recobrou o juízo quando resolveu glorificar a Deus (Daniel 4: 28-37).
                Converter o transtorno num padrão social normal é abandonar a pessoa ao seu estado doentio. Trata-se de um ato de crueldade simulado de respeito.
                Em certo dia, alguém me disse que os que possuem transtorno de gênero mostram-se propensos ao suicídio quando querem retornar à identidade coerente com o sexo biológico. Tal afirmação, porém, é falaciosa, pois a verdade é que TODOS os que têm transtorno de gênero possuem inclinação para o suicídio e para a depressão, independentemente de se conformarem ou não com o seu problema. Exatamente por esse motivo, tais pessoas deveriam ter ajuda de psicólogos para voltarem à normalidade (o que encontra resistência), bem como auxílio espiritual.
                É curioso que os transexuais (que são biologicamente homens), depois de fazerem cirurgia para “mudança de sexo”, agravam o quadro de depressão. Isso acontece porque eles imaginam que, fazendo a cirurgia, vão se sentir como mulheres, mas isso não acontece. Nesse momento, morre toda esperança. Fizeram tudo que era possível, mas percebem que ainda são homens.
              Não abandonamos um cleptomaníaco para que se criminalize, nem abandonamos o psicopata às suas fantasias sádicas. Em relação a essas pessoas, nós queremos tratamento, porque a patologia deles não só os prejudicam, mas TAMBÉM A NÓS. Quando, porém, a patologia só prejudica a própria pessoa, queremos que a situação seja vista como normal. Por quê? Porque só prejudica a ela própria, não a nós. O nome disso é falta de solidariedade e egoísmo.

Dr. Glauco Barreira Magalhães Filho



[1] Homossexualismo e Esperança, Documento da Associação dos Médicos Católicos Norte-Americanos.
[2] David Parker, John DeCecco, “Sexual  Expression: A Global Perspective”, em Sex, Cells and Same-Sax Desire, p. 427
[3][3] Kenneth Zucker, Susan Bradley, Gender Identity Disorder and Psychosexual problems in Children and Adolescents, Guilford Press, Nova York, 1995
[4] https://pt.wikipedia.org/wiki/Inri_Cristo
[5] http://noticias.terra.com.br/mundo/oceania/conheca-a-historia-do-homem-que-viveu-por-6-anos-achando-ser-uma-galinha,31fec074ee3be310VgnVCM10000098cceb0aRCRD.html

"Direito Natural e os novos direitos": Nova Reunião da Sociedade de Direito Natural


quarta-feira, 9 de setembro de 2015

O QUE ROUSSEAU FALOU SOBRE A FAMÍLIA

Rousseau falou o seguinte sobre a família constituída pela união fecunda de homem e mulher: "A mais ANTIGA de todas as sociedades, e a única NATURAL, é a da família" (DO CONTRATO SOCIAL. São Paulo: Abril Cultural, 1973, p. 29 - Os Pensadores, vol. 24)

terça-feira, 8 de setembro de 2015

UMA PALAVRA PARA A IGREJA EVANGÉLICA

Sempre critiquei a ênfase musical exagerada nos cultos e programações de certos círculos pentecostais. Muitos shows, muito exibicionismo, muito culto à personalidade do cantor. Agora, porém, quero criticar o outro lado: uma série de igrejas reformadas (ou não) que só valorizam palestras, estudos e teologia acadêmica. Em muitas delas, sente-se o ar da soberba e o desdém por outros segmentos. Não há espiritualidade nem contrição. Fala-se em oração, mas de um  modo teológico (teórico), não prático ou experimental. Enquanto os recém ingressos em igrejas da Teologia da Prosperidade, logo ficam ambiciosos pelo discursos megalomaníacos de seus "pastores". Muitos recém-ingressos em igrejas "teologizadas" ficam vaidosos, achando que já sabem de tudo. Vejo pessoas se gloriando em Calvino e em Armínio, não em Cristo. Sei que a igreja deve ter louvor, mas esse deve ser reverente, fervoroso e angelical. Foi assim que Agostinho foi cativado pelo culto cristão. A música deve ter peso e majestade como disse Calvino. Também devemos ter pregações e estudos, mas deve ser a palavra viva e poderosa, cheia de unção do céu, como saia dos corações devotos de John Wesley, D. L. Moody e Finney. Como batista de origem anabatista, eu vejo a origem de meu povo antes da Reforma. Por isso, recuso-me a ser classificado como calvinista ou arminiano. Temos nossas próprias categorias teológicas, muito mais recheadas de termos bíblicos que de categorias sistemática criadas pelos modelos teóricos dos homens. Isso, porém, não me impede de aprender o que é bom com todos os lados do movimento evangélico. Acho que nossa ênfase atual não deveria recair tanto na música ou na teologia acadêmica, mas na oração e na santidade. Gostaria de ver divulgação de cultos de oração (com longo tempo de oração, não com promoção humana com o nome de oração) para todas as igrejas evangélicas orarem juntas por um avivamento, confessarem os seus pecados e buscarem santidade interna e externa (o que inclui também o abandono do consumismo, a simplicidade do vestuário e o amor cristão pelos mais pobres, pelos que estão na sarjeta, no abandono, na miséria do pecado...). É tempo de humilhação, não de soberba. É tempo de joelhos no chão, não de shows. Paulo foi identificado por Ananias como o que estaria orando. Não pela teologia, não por outra coisa, mas "Eis que ele está orando" (Atos 9: 11)...

Rev. Glauco Barreira Magalhães Filho

sábado, 5 de setembro de 2015

A PALAVRA "VINHO" NA BÍBLIA





Existem várias palavras na Bíblia que são traduzidas como vinho ou bebida forte:

Oinos: vinho embriagante ou vinho doce (puro suco da uva)
Yaín: vinho embriagante ou vinho doce (puro suco da uva)
Shekar: bebida embriagante
Tyrosh: vinho fresco recém-espremido da uva; o puro suco da uva

Algumas pessoas pensam não haver vinho não fermentado. Porém, isso não procede. A Enciclopédia Judaica, por exemplo, declara que o vinho fresco antes da fermentação era chamado yayin-mi-gat (vinho de tonel).[1] Em Lamentações 2:12, fala-se de um vinho (yaín) como alimento de bebês de colo; tal vinho só poderia ser o puro suco da uva.

O escritor e filosofo grego Aristóteles utiliza a palavra oinos para descrever o suco fresco da uva.[2] Ateneu, escritor grego nascido no Egito, fala sobre vinho (oinos) sendo pego no campo.[3]

Yaín (heb.) e oinos (gr.) são palavras genéricas que significam todos os tipos de vinhos que existem, sejam os embriagantes ou os não fermentados. Logo, para identificarmos quando está se tratando de um ou de outro tipo de vinho, deve-se, sobretudo, avaliar o contexto literário e o contexto social da época. Mas voltemos à pergunta principal: Qual o tipo de vinho abençoado por Deus?

Só há um tipo de vinho que é bênção do Senhor: tyrosh, o puro suco da uva recém-espremida. Isaías 65:8 diz: “Assim diz o Senhor: Como quando se acha vinho (tyrosh) num cacho de uvas, dizem: Não o desperdices, pois há bênção (bêrakah) nele...” Bêrakah, além de “bênção”, quer dizer: “louvor a Deus”, “prosperidade”, “acordo de paz”.

Em Provérbios 3:10, tyrosh aparece como símbolo de bênção e prosperidade: “E se encherão fartamente os teus celeiros e transbordarão de vinho (tyrosh) os teus lagares.” Também em Deuteronômio 11:14: “Darei as chuvas da vossa terra a seu tempo, as primeiras e as últimas, para que recolhais o vosso cereal e o vosso vinho (tyrosh) e o vosso azeite.”

Todos os vinhos embriagantes e as demais bebidas fortes são tidas como mortíferas (Pv 23:29-32) ou alvoroçadoras (Pv 20:1; Ef 5:18) e impróprias para o consumo daqueles que seguem a sabedoria e a justiça (Pv 23:20, 31, 32 e Pv 31:4).

Provérbios 23:29 e 30 afirma que os “ais”, os “pesares”, as “pelejas”, as “queixas”, as “feridas sem causa” e os “olhos vermelhos” são para dois tipos de pessoas: os que se demoram perto do vinho e para os que buscam (chaqar) o vinho misturado (nesse caso, o embriagante).

A palavra hebraica chaqar, além de “buscar”, também significa “pesquisar”, “analisar”, “investigar”, “procurar”, “esquadrinhar”, “examinar detalhadamente”; em outras palavras, todos aqueles males listados no versículo 29 também são para os que procuram consumir bebida embriagante.

Avaliando esses termos e aspectos da Palavra de Deus, fica fácil concluir que, quando a Bíblia afirma: “O vinho (yaín) que alegra (samach) o coração do homem...” (Sl 104:15), ou: “...come com alegria o teu pão e bebe gostosamente o teu vinho (yaín)”, ou coisas semelhantes, está se referindo ao puro suco da uva (tyrosh), pois é neste que habita a alegria verdadeira e a bênção do Senhor.

(Gabriell Stevenson, Apologética XXI)

Referências:
[1] Sanh, 70a
[2] Aristóteles, Metereologia, 387.b.9-13
[3] Ateneu, Banquete, 1.54