sexta-feira, 26 de junho de 2020

A LIBERDADE DE PALAVRA E DE IMPRENSA NO CORAÇÃO DA AMÉRICA




ROSCOE POUND





Em 1734, a coroa inglesa nomeou Cosby como governador de Nova York. Cosby, seguindo o autoritarismo da dinastia dos Stuarts, perseguiu os divergentes. Para isso, teve apoio de Cortes Superiores e criou tribunais de "equidade" (exceção), diminuindo a importância dos julgamentos pelo júri.
Zenger, que publicava um jornal em Nova York depois de 1733, fez comentários contrários às práticas arbitrárias de Cosby. O governador Cosby, então estabeleceu a censura, o que fez Zenger replicar em ousado artigo no qual denunciava o controle sobre a liberdade de imprensa.  À pedido do governador, um dos juízes da Corte Suprema atacou o grande júri, mas o grande júri resistiu e não aceitou acusação contra Zenger. A pressão, porém, continuou e Zenger foi acusado. Andrew Hamilton, grande jurista da época, veio da Filadélfia para defender Zenger . O processo despertou interesse em todo o país, aumentando as tensões entre os americanos e os governantes autoritários. A partir daí, o desejo de liberdade aumentou.
O conhecido jurista e filósofo do século XX, Roscoe Pound, disse sobre esse episódio: “Sentia-se como sendo intolerável a situação em que ninguém pudesse criticar o funcionamento do governo nem mesmo tecer-lhe comentários. Tal o fundo imediato do dispositivo relativo à liberdade de palavra e da imprensa em todas as declarações de direitos da América”[1]

Dr. Glauco Barreira Magalhães Filho




[1] POUND, Roscoe. Liberdades e Garantias Constitucionais. Trad. E. Jacy Monteiro. 2ª ed. São Paulo: IBRASA, 1976, 57

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