CRISTIANISMO E UNIVERSIDADE

Seja bem-vindo a "CRISTIANISMO E UNIVERSIDADE". Aqui procuraremos apresentar artigos acerca de assuntos acadêmicos relacionados aos mais diversos saberes, mantendo sempre a premissa de que a teologia é a rainha das ciências, pois trata dos fundamentos (pressupostos) de todo pensamento, bem como de seu encerramento ou coroamento final. Inspiramo-nos em John Wesley, leitor voraz de poesia e filosofia clássica, conhecedor e professor de várias línguas, escritor de livros de medicina, teólogo, filantropo, professor de Oxford e pregador fervoroso do avivamento espiritual que incendiou a Inglaterra no século XVIII.

A situação atual é avaliada dentro de seus vários aspectos modais (econômico, jurídico, político, linguístico, etc.), mas com a certeza de que esses momentos da realidade precisam encontrar um fator último e absoluto que lhes dê coerência. Esse fator último define a cosmovisão adotada. Caso não reconheçamos Deus nela, incorreremos no erro de absolutizar algum aspecto modal, que é relativo por definição.

A nossa cosmovisão não é baseada na dicotomia "forma e matéria" (pensamento greco-clássico), nem na dicotomia "natureza-graça" (catolicismo), nem na "natureza-liberdade" (humanismo), mas, sim, na tricotomia "criação-queda-redenção" (pensamento evangélico).

ESTE BLOG INICIOU EM 09 DE JANEIRO DE 2012





sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

O que C. S. Lewis falou sobre Predestinação, Onisciência Divina e Responsabilidade Humana

               Dr. Glauco Barreira Magalhães Filho na casa onde morou C. S. Lewis em Oxford

No livro “Cartas de um Diabo a seu aprendiz”, na carta 27, C. S. Lewis mostra a conciliação da onisciência de Deus com o livre-arbítrio humano, rejeitando a doutrina determinista (calvinista) da predestinação.
            O Diabo fala a seu aprendiz da dificuldade que têm seres humanos de entenderem que Deus está fora do tempo, ou seja, em um eterno presente que compreende e excede o nosso presente, passado e futuro. Desse modo, o homem, persistindo em ver erroneamente Deus no tempo (sucessão), imagina a presciência como previsão e predestinação. Ao levar a sério essa errada crença, ele desanima de orar com fervor.
Diz o Diabo a seu aluno:

“Mas lembre-se de que ele (o homem) dá como certo que o Tempo é a realidade suprema. Ele supõe que o Inimigo (Deus) , assim como ele próprio, vê certas coisas como o presente, lembra-se de outras como o passado e antecipa outras mais como futuro”.

            O Diabo, então, mostra que não adiantaria alguém explicar a esse homem que a onisciência é conciliável com o livre-arbítrio, pois ele só compreende a presciência como predestinação:

            “... Ele (o homem) não acredita realmente (embora talvez diga que sim) que as coisas são como o Inimigo as vê! Se você tentasse explicar para ele que as preces dos homens no dia de hoje são uma das inúmeras coordenadas utilizadas pelo Inimigo (Deus) para harmonizar o dia de amanhã, ele replicaria que, de qualquer modo, o Inimigo (Deus) sempre soube que os homens iriam fazer essas preces e, sendo assim, eles não oraram livremente, mas estavam predestinados a orar.”

            O Diabo é, então, obrigado a confessar que o amor divino reservou espaço para o livre-arbítrio humano:

            “Por que esse ato criador deixa espaço para o livre-arbítrio deles é o maior de todos os problemas, o segredo que está por trás de toda essa lengalenga do Inimigo em relação ao Amor... pois o Inimigo (Deus) não PREVÊ como os humanos irão contribuir para o futuro com o seu livre-arbítrio, mas OBSERVA os atos deles no Presente Totalmente Livre de que dispõem. E, claro, observar um homem fazendo algo não significa forçá-lo a fazer tal coisa”.

            Para Lewis a ignorância dos escritos de autores cristãos antigos produziu os erros modernos quanto a esse assunto. Diz o Diabo:

            “Poderíamos dizer que alguns escritores humanos bastante intrometidos, principalmente Boécio, acabaram revelando esse segredo. Mas, devido ao clima intelectual que finalmente conseguimos produzir em toda a Europa ocidental, você não precisa se preocupar com isso. Só os eruditos lêem livros antigos, e nós já demos tal jeito neles que, de todos os homens, eles são os menos capazes de adquirir sabedoria ao ler tais livros”.

            Voltemos, portanto, ao bom senso e abandonemos o determinismo antibíblico! Deus sabe o que farei amanhã, não porque determinou, mas porque já me observou praticando desde o seu eterno presente. As minhas orações de hoje influenciam a ação de Deus no amanhã, mas o meu hoje e o meu amanhã são para Ele sempre um presente consumado. Não confundamos atributos naturais de Deus (Atemporalidade, Onisciência) com o determinismo.

Dr. Glauco Barreira Magalhães Filho
Doutor em Sociologia da Religião
Doutor em Teologia
Doutor em Ministério

Livre Docente em Filosofia

2 comentários:

  1. Já percebi isso nos calvinistas, confundem de maneira assombrosa a onisciência de Deus com predestinação. Realmente é lamentável. Era só dar uma olhada no dicionário...

    Excelente texto.

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    1. Nossa, destruiu quase dois mil anos de teologia com um simples comentário, ta de parabéns Josinaldo, comece a dar aula!

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