CRISTIANISMO E UNIVERSIDADE

Seja bem-vindo a "CRISTIANISMO E UNIVERSIDADE". Aqui procuraremos apresentar artigos acerca de assuntos acadêmicos relacionados aos mais diversos saberes, mantendo sempre a premissa de que a teologia é a rainha das ciências, pois trata dos fundamentos (pressupostos) de todo pensamento, bem como de seu encerramento ou coroamento final. Inspiramo-nos em John Wesley, leitor voraz de poesia e filosofia clássica, conhecedor e professor de várias línguas, escritor de livros de medicina, teólogo, filantropo, professor de Oxford e pregador fervoroso do avivamento espiritual que incendiou a Inglaterra no século XVIII.

A situação atual é avaliada dentro de seus vários aspectos modais (econômico, jurídico, político, linguístico, etc.), mas com a certeza de que esses momentos da realidade precisam encontrar um fator último e absoluto que lhes dê coerência. Esse fator último define a cosmovisão adotada. Caso não reconheçamos Deus nela, incorreremos no erro de absolutizar algum aspecto modal, que é relativo por definição.

A nossa cosmovisão não é baseada na dicotomia "forma e matéria" (pensamento greco-clássico), nem na dicotomia "natureza-graça" (catolicismo), nem na "natureza-liberdade" (humanismo), mas, sim, na tricotomia "criação-queda-redenção" (pensamento evangélico).

ESTE BLOG INICIOU EM 09 DE JANEIRO DE 2012





terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

A CRISE DA LINGUAGEM E A TEOLOGIA

                            Rev. Glauco Filho pregando nas Conferências Anabatistas de 2010


            Depois da globalização, houve um maior diálogo cultural no mundo. As nações, por outro lado, perderam a sua homogeneidade interna e se tornaram cada vez mais heterogêneas ou pluralistas. Nesse contexto, as fórmulas para convivência pacífica entre os diferentes passaram a ser necessárias.  Palavras que tinham um sentido preciso receberam um significado amplo para acomodar acordos, ganhando fluidez e ambigüidade. Uma mesma forma de expressão poderia servir a discursos diferentes ou, mesmo, incompatíveis.
Toda essa situação mencionada gerou uma crise da linguagem. Uma palavra pode agora significar qualquer coisa. Nessa situação, a frase de Nietzsche, o profeta do nazismo, encontrou eco: “Não conheço fatos, só conheço interpretações”. Agora, tudo é interpretável, nada é preciso ou definido. Essa teoria não é uma descoberta do que sempre foi, mas uma teoria para o que se criou agora.
Esse problema da crise da linguagem é mais antigo na religião do que no mundo, pois o movimento ecumênico (que procurava unir grupos religiosos bem diversos, como o catolicismo e o protestantismo) e o liberalismo teológico (que procurava tornar a mensagem religiosa interessante ao mundo moderno) antecederam o fenômeno atual de globalização, com o seu “politeísmo de valores”.
Em razão do ecumenismo e do liberalismo, os termos teológicos foram adquirindo sentidos amplíssimos. Grupos religiosos passaram a acordar sobre doutrinas como a da justificação pela graça, mas entendendo diversamente o que era justificação e o que era graça. Certos termos bíblicos sofreram o esvaziamento do seu sentido original para ganharem “relevância” para o mundo moderno.
Diante de tudo isso, muitos estão dizendo que a Bíblia é suscetível de várias interpretações, que não há sentido objetivo na Escritura. Essa situação é uma negação de vários postulados básicos da Reforma Protestante, como os da suficiência, perspicuidade e auto-interpretação da Bíblia.
Há uma investida satânica para desacreditar a possibilidade de uma legítima interpretação da Palavra de Deus. De fato, se formos levar em conta o sentido que os termos bíblicos passaram a ter em vários discursos, não encontraremos senão critérios pragmáticos para preferir um discurso ao outro. Precisamos voltar a escutar Lutero quando disse que a Bíblia era intérprete de si mesma. Nós temos que entrar no mundo bíblico para compreender o que as palavras significavam dentro dele.
Quando nós começamos a ler a Bíblia, há uma fusão entre o nosso horizonte contemporâneo e o horizonte bíblico. Cabe a nós permitir que o horizonte bíblico triunfe sobre o nosso horizonte atual. Foi por esse caminho que Agostinho de Hipona foi escrevendo suas “Retratações” ao longo de sua vida cristã.
Não nego que sejamos influenciados pelo nosso tempo no ponto de partida de nossa interpretação da Bíblia, mas temos que nos corrigir no caminho. A "Bíblia somente" deve ser o nosso ponto de chegada. Conforme explicou E.D. Hirsch (“Validity in Interpretation”), há uma lógica de validação da interpretação, ou seja, há critérios que permitam saber se a interpretação é válida ou não.
Cabe a nós protestantes e evangélicos legítimos, portanto, continuar pregando a Escritura como única regra de fé e prática, bem como a existência de seu sentido intrínseco passível de ser descoberto pelo livre exame do crente piedoso.

Dr. Glauco Barreira Magalhães Filho
Professor de Hermenêutica da Universidade Federal do Ceará
Professor da Faculdade Teológica Unida de Fortaleza (FTUfor)
Coordenador do Curso de Especialização em Teologia Histórica e Dogmática da FAERPI

4 comentários:

  1. Prezado Glauco,
    Parabéns pela iniciativa em criar esse espaço virtual! Parabéns, também, pelas escolhas do turismo realizado por sua família - os pontos históricos mais interessantes da Europa!
    Grande abraço na esposa e no filho, Karen

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    1. Obrigado, estimada irmã. Conto com as suas orações.

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  2. òtimo blog! Voltarei aqui mais vezes! Grande Abraço!

    Equipe do Veshame Gospel!

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    1. Obrigado, João Paulo. As suas visitas serão sempre bem-vindas e calorosamente recebidas!

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