
Na época de
Jesus, houve muitos confrontos entre Ele e os fariseus. Jesus era criticado por
comer com os pecadores (entenda-se os “pecadores marginalizados”) e frequentar as
suas casas. Jesus, porém, fazia isso para libertar os pecadores de suas
práticas, como aconteceu com Zaqueu e a mulher samaritana. Ele disse que o
médico veio para os doentes, não para os sãos. Ele acolhia os pecadores sem
acolher os seus pecados.
Os fariseus
criticavam Jesus porque não queriam a conversão dos pecadores. Para eles, os
pecadores deveriam se manter assim e a sociedade deveria ter pecadores. Essa
situação de institucionalização da classe dos “pecadores” permitia que gozassem
o status de “ajustados”, “sábios”. Ou seja, a hierarquia da sociedade os
colocava no topo do “bom senso” e do “ajustamento”. Se Jesus convertesse os
pecadores, subverteria a “ordem social”.
Nós
evangélicos sempre desejamos o bem do homossexual, ou seja, que ele pudesse
deixar uma vida na qual degradava o seu corpo por um uso anatomicamente
inadequado, onde mantinha um relacionamento no qual os seus pais não poderiam gozar
da alegria de ele lhes dar netos numa família natural... Orávamos para que
fosse liberto de uma vida contrária a vontade de Deus, que lhes acentuava a
depressão, criava maiores possibilidades de morte precoce e suicídio. Vi muitos
homossexuais e travestis serem libertos, voltarem a uma orientação conforme a
vontade de Deus e constituírem família. São pessoas extremamente felizes hoje. Com
18 anos, juntamente com alguns irmãos em Cristo, eu evangelizava as prostitutas
e os homossexuais no Centro de Fortaleza. Preguei para muitos deles em lugares
de encontro que possuíam na Av. Duque de Caxias (“Duques & Barões” e um
outro sem placa). Eles se surpreendiam que eu e outros irmãos em Cristo estivéssemos
ali, expondo-nos, apenas para falar a eles sobre Jesus. Ouvi muitas confissões
desesperadoras em meio a lágrimas e vergonha. Uma lésbica ficou tão comovida
pela atenção que lhe dispensei que me engasguei quando ela disse que deixaria
aquela vida se eu ficasse com ela (no sentido romântico)! Precisei explicar que
fora outro amor que me levara a ela! O meu coração sofria por aquelas pessoas,
buscando mostrar como Jesus era poderoso para libertá-las de um pecado tão
destrutivo.
Nos dias de
hoje, os fariseus são outros. Entre eles, estão alguns ministros de grandes
tribunais. Eles, provavelmente, ficariam revoltados se um filho ou um irmão fosse
homossexual ou travesti. Na verdade, morreriam de vergonha (“sou tolerante, mas
isso não é coisa para acontecer em nossa família!”). Talvez até o
marginalizassem. Se, porém, for o filho dos outros, distante, isso é ótimo para
eles. Precisam da existência dos homossexuais, das lésbicas, dos travestis,
para que eles possam manter a pose de equilibrados, superiores, etc. Precisam
de homens vestidos de mulher, de pessoas exóticas, para que eles se sobressaiam
em sua “sensatez” e em uma tolerância na qual (mostram de cima) suportar os que
estão no degrau de “baixo”.
Os fariseus
conviviam bem com os pecadores na forma “cada um na sua”. Não iriam as suas
casas, não ouviriam as suas angústias. Será que um ministro de um grande
tribunal (que quer a criminalização da homofobia) faria o que fiz? Iria para
uma “boite” gay para ouvir as suas angústias e lhes dar conselho?
Ninguém se
engane, Jesus, e não ministros ativistas de grandes tribunais, é o verdadeiro
amigo dos pecadores.
Rev. Glauco Barreira Magalhães
Filho
Excelente reflexão.
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