CRISTIANISMO E UNIVERSIDADE

Seja bem-vindo a "CRISTIANISMO E UNIVERSIDADE". Aqui procuraremos apresentar artigos acerca de assuntos acadêmicos relacionados aos mais diversos saberes, mantendo sempre a premissa de que a teologia é a rainha das ciências, pois trata dos fundamentos (pressupostos) de todo pensamento, bem como de seu encerramento ou coroamento final. Inspiramo-nos em John Wesley, leitor voraz de poesia e filosofia clássica, conhecedor e professor de várias línguas, escritor de livros de medicina, teólogo, filantropo, professor de Oxford e pregador fervoroso do avivamento espiritual que incendiou a Inglaterra no século XVIII.

A situação atual é avaliada dentro de seus vários aspectos modais (econômico, jurídico, político, linguístico, etc.), mas com a certeza de que esses momentos da realidade precisam encontrar um fator último e absoluto que lhes dê coerência. Esse fator último define a cosmovisão adotada. Caso não reconheçamos Deus nela, incorreremos no erro de absolutizar algum aspecto modal, que é relativo por definição.

A nossa cosmovisão não é baseada na dicotomia "forma e matéria" (pensamento greco-clássico), nem na dicotomia "natureza-graça" (catolicismo), nem na "natureza-liberdade" (humanismo), mas, sim, na tricotomia "criação-queda-redenção" (pensamento evangélico).

ESTE BLOG INICIOU EM 09 DE JANEIRO DE 2012





sábado, 13 de abril de 2019

OS NOVOS "EVANGÉLICOS" SEMI-ROMANISTAS









Nessa era confusa em que vivemos, toda sorte de surpresas tem aparecido. Um onda de novo calvinismo vem emergindo, recrutando para suas fileiras muitos batistas e pentecostais. Tudo vem acompanhado pelo discurso de fidelidade à Reforma Protestante e ao pensamento de Calvino. Uma investigação mais acurada, porém, revela que não há fidelidade, mas distanciamento de Calvino e da posição original da Reforma. Muitos deles defendem a evolução teísta e sustentam a neurociência materialista para garantir o determinismo da predestinação. O pior é que muitos nesse movimento tem surpreendido a todos declarando uma volta ao catolicismo romano. Trata-se dos "novos evangélicos semi-romanistas", que vivem há um passo de Roma. Para que todos fiquem advertidos desse movimento, aponto algumas de suas características: 

(1) DIZEM QUE PEDRO, E NÃO JESUS (CONFESSADO), É A PEDRA DE MATEUS 16: 18. Eles defendem que, embora Pedro não tenha tido sucessor, ele teve primazia entre os apóstolos e o primado na igreja primitiva. Essa falsa interpretação faz com que o "protestante", ao ler o livro de Atos, esteja sempre vendo a igreja primitiva muito mais parecida com a Igreja Católica de hoje do que com uma igreja evangélica atual. Paulatinamente, ele vai ganhando simpatia por Roma.
Além disso, a sucessão da imaginária posição de Pedro na igreja primitiva, embora não possa ser achada na Bíblia, vai se tornando plausível e razoável. Se a igreja primitiva, tomada por uma intensidade de ação e direção do Espírito precisou de um líder humano, porque, então, agora, divida, sem tanta ação evidente do Espírito não precisaria. Quem sabe essa não será uma interpretação que favorecerá a que falsos crentes aceitem o governo religioso do falso profeta (segunda besta do Apocalipse) na grande tribulação?
Como um evangélico pode acreditar que o Corpo Místico (Igreja Invisível) está fundado em um homem falho como Pedro? Como pode Pedro, como alicerce, garantir tão grande coisa como a Salvação (E AS PORTAS DO INFERNO NÃO PREVALECERÃO CONTRA ELA)?

(2) DIZEM QUE MARIA É MÃE DE DEUS. É verdade que Lutero e Calvino quiseram manter a definição ambígua de um dos concílios da igreja, segundo a qual Maria é "mãe de Deus SEGUNDO A HUMANIDADE". Os luteranos e calvinistas posteriores, porém, recusaram a expressão, como os anabatistas já faziam. Perceberam que a Bíblia não a usa e que, embora Jesus seja uma só pessoa em duas naturezas, atribuir certas peculiaridades humanas à consideração divina de Jesus pode gerar expressões blasfemas. Assim, não devemos dizer que Deus esteve morto por três dias, ou que Deus nasceu, ou que Deus tem mãe. Voltar ao equívoco é retroceder na evolução natural das conclusões da Reforma.

(3) DIZEM QUE A DOUTRINA DA REFORMA DA CLAREZA DAS ESCRITURAS FOI UM ERRO. Ao criarem escopos teológico-filosóficos para interpretar a Bíblia, criam uma nova linguagem, cheia de sofisticações e sutilezas. Confundindo sua "teologia" complexa com a própria Bíblia, dizem que a Bíblia não é clara, quando a sua "teologia" é que obscurece o sentido simples da Escritura.

(4) VALORIZAM LITURGIAS E EFICÁCIAS SACRAMENTAIS. Enfatizam a tradição, como suporte de interpretação, mas buscam não a tradição hermenêutica (anterior à Reforma) dos grupos "sectários" que foram realmente fiéis ao "Somente Escritura" (antigos valdenses, paulicianos, petrobrusianos, arnaldistas, etc), dos pré-reformadores e dos primeiros "pais" da igreja, mas, sim, uma tradição mais ligada ao romanismo. Valorizam práticas litúrgicas sobre os sermões e acreditam em operação "mágica" ou inerente dos sacramentos.

(4) REVELAM UMA NECESSIDADE (FRUTO DE BAIXA ESTIMA) DE DIZER QUE ESTÃO ASSOCIADOS AO CATOLICISMO ROMANO NUMA HERANÇA COMUM, EM VEZ DE TEREM O CATOLICISMO ROMANO COMO UM PAGANISMO CRISTIANIZADO. Eles gostam de falar em CATOLICIDADE da igreja e tem um fascínio pela hegemonia romanista e seu poder institucional na Idade Média. 

(5) DIZEM QUE A JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ NÃO É O ASSUNTO CENTRAL DE PAULO, NEM MESMO NA CARTA AOS ROMANOS (QUE, SEGUNDO ELES, TERIA FOCO ESCATOLÓGICO E NÃO SOTERIOLÓGICO). Ou redefinem a Justificação pela fé ou a tornam uma doutrina irrelevante e secundária, afastando-se dos reformadores que a consideravam decisiva para saber se uma igreja estava de pé ou caída. 

Temos que caminhar para a perfeição do evangelho, não para velhos erros!

Rev. Glauco Barreira Magalhães Filho

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Jesus, os Fariseus, os Ministros dos Grandes Tribunais e os LGBTs




Resultado de imagem para Imagem Justiça







Na época de Jesus, houve muitos confrontos entre Ele e os fariseus. Jesus era criticado por comer com os pecadores (entenda-se os “pecadores marginalizados”) e frequentar as suas casas. Jesus, porém, fazia isso para libertar os pecadores de suas práticas, como aconteceu com Zaqueu e a mulher samaritana. Ele disse que o médico veio para os doentes, não para os sãos. Ele acolhia os pecadores sem acolher os seus pecados.
Os fariseus criticavam Jesus porque não queriam a conversão dos pecadores. Para eles, os pecadores deveriam se manter assim e a sociedade deveria ter pecadores. Essa situação de institucionalização da classe dos “pecadores” permitia que gozassem o status de “ajustados”, “sábios”. Ou seja, a hierarquia da sociedade os colocava no topo do “bom senso” e do “ajustamento”. Se Jesus convertesse os pecadores, subverteria a “ordem social”.
Nós evangélicos sempre desejamos o bem do homossexual, ou seja, que ele pudesse deixar uma vida na qual degradava o seu corpo por um uso anatomicamente inadequado, onde mantinha um relacionamento no qual os seus pais não poderiam gozar da alegria de ele lhes dar netos numa família natural... Orávamos para que fosse liberto de uma vida contrária a vontade de Deus, que lhes acentuava a depressão, criava maiores possibilidades de morte precoce e suicídio. Vi muitos homossexuais e travestis serem libertos, voltarem a uma orientação conforme a vontade de Deus e constituírem família. São pessoas extremamente felizes hoje. Com 18 anos, juntamente com alguns irmãos em Cristo, eu evangelizava as prostitutas e os homossexuais no Centro de Fortaleza. Preguei para muitos deles em lugares de encontro que possuíam na Av. Duque de Caxias (“Duques & Barões” e um outro sem placa). Eles se surpreendiam que eu e outros irmãos em Cristo estivéssemos ali, expondo-nos, apenas para falar a eles sobre Jesus. Ouvi muitas confissões desesperadoras em meio a lágrimas e vergonha. Uma lésbica ficou tão comovida pela atenção que lhe dispensei que me engasguei quando ela disse que deixaria aquela vida se eu ficasse com ela (no sentido romântico)! Precisei explicar que fora outro amor que me levara a ela! O meu coração sofria por aquelas pessoas, buscando mostrar como Jesus era poderoso para libertá-las de um pecado tão destrutivo.
Nos dias de hoje, os fariseus são outros. Entre eles, estão alguns ministros de grandes tribunais. Eles, provavelmente, ficariam revoltados se um filho ou um irmão fosse homossexual ou travesti. Na verdade, morreriam de vergonha (“sou tolerante, mas isso não é coisa para acontecer em nossa família!”). Talvez até o marginalizassem. Se, porém, for o filho dos outros, distante, isso é ótimo para eles. Precisam da existência dos homossexuais, das lésbicas, dos travestis, para que eles possam manter a pose de equilibrados, superiores, etc. Precisam de homens vestidos de mulher, de pessoas exóticas, para que eles se sobressaiam em sua “sensatez” e em uma tolerância na qual (mostram de cima) suportar os que estão no degrau de “baixo”.
Os fariseus conviviam bem com os pecadores na forma “cada um na sua”. Não iriam as suas casas, não ouviriam as suas angústias. Será que um ministro de um grande tribunal (que quer a criminalização da homofobia) faria o que fiz? Iria para uma “boite” gay para ouvir as suas angústias e lhes dar conselho?  
Ninguém se engane, Jesus, e não ministros ativistas de grandes tribunais, é o verdadeiro amigo dos pecadores.


Rev. Glauco Barreira Magalhães Filho


domingo, 10 de fevereiro de 2019

A VULGARIDADE DA LINGUAGEM NAS REDES SOCIAIS






Quem dentre vós é sábio e entendido? Mostre pelo seu BOM TRATO AS SUAS OBRAS EM MANSIDÃO DE SABEDORIA... MAS A SABEDORIA QUE DO ALTO VEM É, PRIMEIRAMENTE PURA, DEPOIS PACÍFICA, MODERADA, TRATÁVEL, CHEIA DE MISERICÓRDIA E DE BONS FRUTOS, SEM PARCIALIDADE, E SEM HIPOCRISIA. Ora, o fruto da justiça semeia-se na paz, para os que exercitam a paz.” (Tiago 3: 13, 17-18).
Temos visto nas redes sociais, os sinais mais graves da intolerância e do ódio. Vídeos onde pessoas chamam os que discordam de suas ideias de pilantras, canalhas, vagabundos, vadias... São expressões que detratam os outros com uma agressividade impiedosa. A vulgaridade dessa linguagem coloca o que a diz nivelado na forma de falar com os bandidos da pior espécie. São termos que são repetidos e usados com frequência, transformando-se na linguagem “natural” dessas pessoas. Esses modos de comunicação deformam o caráter e fazem o ódio vir ao coração com espontaneidade. São usados de forma retributiva entre pessoas de concepções diferentes.
A liberdade de expressão, cogitada para discutir ideias (o que presume o respeito dialógico), transforma-se em “liberdade” de agredir e detratar. Tal linguagem chula e venenosa, em vez de ser associada com a vulgaridade da ignorância, passa a ser a ambiência normal para uma pedante “(pseudo)erudição”, tanto dos que se dizem de direita como dos que se dizem de esquerda.
Essa linguagem pesada aumenta visualizações para vídeos, cria oportunidades políticas para demagogos e deforma a juventude. Civilidade, solidariedade, respeito, cumprimento de mãos entre debatedores de ideias tem desaparecido.
Quem agride não espera convencer, pois é sabido que alguém ofendido costuma se ressentir, não se convencer. Normalmente, o que usa linguagem venenosa não possui argumentos ou chegou ao estado do profeta Jonas em Nìnive (não quer mais a “conversão” do outro, mas a sua destruição).
Jesus disse: “Eu, porém, vos digo que qualquer que, sem motivo, se encolerizar contra seu irmão, será réu de juízo; e qualquer que disser a seu irmão: Raca, será réu do sinédrio; e qualquer que lhe disser: Louco, será réu do fogo do inferno” (Mateus 5: 22).
Que Deus ajude os autênticos evangélicos a manterem uma posição adequadamente cristã em meio a esse corrompido ambiente virtual.
Rev. Glauco Barreira Magalhães Filho
             

domingo, 27 de janeiro de 2019

CHARLES SPURGEON, OS BATISTAS E A ORDEM DA SALVAÇÃO





Resultado de imagem para Charles Spurgeon foto




Uma das distinções entre batistas e presbiterianos está no fato de os batistas batizarem adultos sob a profissão de fé e os presbiterianos ainda manterem o batismo infantil. A razão disso é que os calvinistas, por crerem que a regeneração antecede a fé, não encontram razão para não batizar um infante antes de ele crer. Os batistas, porém, não podem deixar de acreditar que a fé é anterior a regeneração, pois é isso que representam no batismo adulto: Uma pessoa professando a fé publicamente para depois ser imersa em água (símbolo da regeneração).
C. H. Spurgeon é apontado como um batista calvinista, mas é perceptível um afastamento cada vez maior do calvinismo em seus últimos anos de ministério. Ainda, porém, em seus dias mais “calvinistas” acreditou na ordem da salvação como compreendida pelos batistas. Vejamos um trecho de uma mensagem sua sobre a regeneração:

“Por que criaríamos uma dificuldade onde não há nenhuma? Se uma declaração nos assegura da necessidade da salvação de alguma coisa, que só Deus pode dar, e se outra nos assegura de que o Senhor nos salvará quando crermos em Jesus, então, podemos concluir seguramente que o senhor dará aos que creem tudo aquilo que se declara ser necessário à salvação. De fato, o Senhor produz o novo nascimento em todos aqueles que creem em Jesus; e a fé deles é a mais segura evidência de que eles nasceram de novo.
Confiamos em Jesus por aquilo que não podemos fazer por nós mesmos. Se estivesse em nosso próprio poder, que necessidade haveria de olharmos para ele? A nós compete crer; ao Senhor compete nos criar de novo. Ele não vai crer por nós; e não compete a nós fazermos a obra da regeneração por Ele. Basta obedecermos ao gracioso mandamento; compete ao Senhor operar em nós o novo nascimento [...] Se um homem fosse chamado para semear um campo, ele não poderia desculpar a sua negligência, dizendo que seria inútil semeá-lo a menos que Deus fizesse crescer as sementes. Ele não seria justificado pela sua negligência de arar porque só as secretas energias de Deus podem criar uma seara.” (C. H. SPURGEON. Tudo pela Graça. Trad. José de Miranda Pinto. São Paulo: PES, 2015, p. 94-95).

Não pretendemos aqui discutir quem está certo (batistas ou presbiterianos) nem o quanto Spurgeon foi calvinista. O fato é que, apesar de dizer que ninguém podia se arrepender e crer sem ser capacitado pelo Espírito Santo (até os arminianos acreditam nisso), o pregador de Londres não chegava a confundir essa capacitação com a regeneração.
Para ser um batista coerente, portanto, algumas convicções são inafastáveis!


Dr. Glauco Barreira Magalhães Filho