CRISTIANISMO E UNIVERSIDADE

Seja bem-vindo a "CRISTIANISMO E UNIVERSIDADE". Aqui procuraremos apresentar artigos acerca de assuntos acadêmicos relacionados aos mais diversos saberes, mantendo sempre a premissa de que a teologia é a rainha das ciências, pois trata dos fundamentos (pressupostos) de todo pensamento, bem como de seu encerramento ou coroamento final. Inspiramo-nos em John Wesley, leitor voraz de poesia e filosofia clássica, conhecedor e professor de várias línguas, escritor de livros de medicina, teólogo, filantropo, professor de Oxford e pregador fervoroso do avivamento espiritual que incendiou a Inglaterra no século XVIII.

A situação atual é avaliada dentro de seus vários aspectos modais (econômico, jurídico, político, linguístico, etc.), mas com a certeza de que esses momentos da realidade precisam encontrar um fator último e absoluto que lhes dê coerência. Esse fator último define a cosmovisão adotada. Caso não reconheçamos Deus nela, incorreremos no erro de absolutizar algum aspecto modal, que é relativo por definição.

A nossa cosmovisão não é baseada na dicotomia "forma e matéria" (pensamento greco-clássico), nem na dicotomia "natureza-graça" (catolicismo), nem na "natureza-liberdade" (humanismo), mas, sim, na tricotomia "criação-queda-redenção" (pensamento evangélico).

ESTE BLOG INICIOU EM 09 DE JANEIRO DE 2012





domingo, 10 de fevereiro de 2019

A VULGARIDADE DA LINGUAGEM NAS REDES SOCIAIS






Quem dentre vós é sábio e entendido? Mostre pelo seu BOM TRATO AS SUAS OBRAS EM MANSIDÃO DE SABEDORIA... MAS A SABEDORIA QUE DO ALTO VEM É, PRIMEIRAMENTE PURA, DEPOIS PACÍFICA, MODERADA, TRATÁVEL, CHEIA DE MISERICÓRDIA E DE BONS FRUTOS, SEM PARCIALIDADE, E SEM HIPOCRISIA. Ora, o fruto da justiça semeia-se na paz, para os que exercitam a paz.” (Tiago 3: 13, 17-18).
Temos visto nas redes sociais, os sinais mais graves da intolerância e do ódio. Vídeos onde pessoas chamam os que discordam de suas ideias de pilantras, canalhas, vagabundos, vadias... São expressões que detratam os outros com uma agressividade impiedosa. A vulgaridade dessa linguagem coloca o que a diz nivelado na forma de falar com os bandidos da pior espécie. São termos que são repetidos e usados com frequência, transformando-se na linguagem “natural” dessas pessoas. Esses modos de comunicação deformam o caráter e fazem o ódio vir ao coração com espontaneidade. São usados de forma retributiva entre pessoas de concepções diferentes.
A liberdade de expressão, cogitada para discutir ideias (o que presume o respeito dialógico), transforma-se em “liberdade” de agredir e detratar. Tal linguagem chula e venenosa, em vez de ser associada com a vulgaridade da ignorância, passa a ser a ambiência normal para uma pedante “(pseudo)erudição”, tanto dos que se dizem de direita como dos que se dizem de esquerda.
Essa linguagem pesada aumenta visualizações para vídeos, cria oportunidades políticas para demagogos e deforma a juventude. Civilidade, solidariedade, respeito, cumprimento de mãos entre debatedores de ideias tem desaparecido.
Quem agride não espera convencer, pois é sabido que alguém ofendido costuma se ressentir, não se convencer. Normalmente, o que usa linguagem venenosa não possui argumentos ou chegou ao estado do profeta Jonas em Nìnive (não quer mais a “conversão” do outro, mas a sua destruição).
Jesus disse: “Eu, porém, vos digo que qualquer que, sem motivo, se encolerizar contra seu irmão, será réu de juízo; e qualquer que disser a seu irmão: Raca, será réu do sinédrio; e qualquer que lhe disser: Louco, será réu do fogo do inferno” (Mateus 5: 22).
Que Deus ajude os autênticos evangélicos a manterem uma posição adequadamente cristã em meio a esse corrompido ambiente virtual.
Rev. Glauco Barreira Magalhães Filho
             

domingo, 27 de janeiro de 2019

CHARLES SPURGEON, OS BATISTAS E A ORDEM DA SALVAÇÃO





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Uma das distinções entre batistas e presbiterianos está no fato de os batistas batizarem adultos sob a profissão de fé e os presbiterianos ainda manterem o batismo infantil. A razão disso é que os calvinistas, por crerem que a regeneração antecede a fé, não encontram razão para não batizar um infante antes de ele crer. Os batistas, porém, não podem deixar de acreditar que a fé é anterior a regeneração, pois é isso que representam no batismo adulto: Uma pessoa professando a fé publicamente para depois ser imersa em água (símbolo da regeneração).
C. H. Spurgeon é apontado como um batista calvinista, mas é perceptível um afastamento cada vez maior do calvinismo em seus últimos anos de ministério. Ainda, porém, em seus dias mais “calvinistas” acreditou na ordem da salvação como compreendida pelos batistas. Vejamos um trecho de uma mensagem sua sobre a regeneração:

“Por que criaríamos uma dificuldade onde não há nenhuma? Se uma declaração nos assegura da necessidade da salvação de alguma coisa, que só Deus pode dar, e se outra nos assegura de que o Senhor nos salvará quando crermos em Jesus, então, podemos concluir seguramente que o senhor dará aos que creem tudo aquilo que se declara ser necessário à salvação. De fato, o Senhor produz o novo nascimento em todos aqueles que creem em Jesus; e a fé deles é a mais segura evidência de que eles nasceram de novo.
Confiamos em Jesus por aquilo que não podemos fazer por nós mesmos. Se estivesse em nosso próprio poder, que necessidade haveria de olharmos para ele? A nós compete crer; ao Senhor compete nos criar de novo. Ele não vai crer por nós; e não compete a nós fazermos a obra da regeneração por Ele. Basta obedecermos ao gracioso mandamento; compete ao Senhor operar em nós o novo nascimento [...] Se um homem fosse chamado para semear um campo, ele não poderia desculpar a sua negligência, dizendo que seria inútil semeá-lo a menos que Deus fizesse crescer as sementes. Ele não seria justificado pela sua negligência de arar porque só as secretas energias de Deus podem criar uma seara.” (C. H. SPURGEON. Tudo pela Graça. Trad. José de Miranda Pinto. São Paulo: PES, 2015, p. 94-95).

Não pretendemos aqui discutir quem está certo (batistas ou presbiterianos) nem o quanto Spurgeon foi calvinista. O fato é que, apesar de dizer que ninguém podia se arrepender e crer sem ser capacitado pelo Espírito Santo (até os arminianos acreditam nisso), o pregador de Londres não chegava a confundir essa capacitação com a regeneração.
Para ser um batista coerente, portanto, algumas convicções são inafastáveis!


Dr. Glauco Barreira Magalhães Filho